Hoje faço 30 anos, eis o que aprendi até aqui

Um resumo do que aprendi até agora sobre a vida e algumas ideias do que ainda quero aprender.

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Há exatos 30 anos vim para este mundo. Como você deve imaginar, muita coisa aconteceu de lá pra cá.

Se pudesse contar uma história só com números ela seria assim:

Mas isso não diz muita coisa, afinal, depois que partir desse mundo, todos esses números não vão valer de nada.

Escrevo esse artigo, abrindo meu coração, com uma única intenção: fazer você refletir comigo.

Questionamentos

Eu não sei vocês, mas depois de um tempo e alguma experiência comecei a questionar várias áreas da minha vida.

Aqui estão algumas perguntas que passaram (ou ainda passam) pela minha cabeça:

Vida

Relacionamentos

Carreira

E a pergunta mais significativa que já me fiz até hoje:

Essa é a vida que eu quero ter? Se não, por que estou fazendo isso?

Lições

Algumas das perguntas acima eu já me fiz e parei pra responder e refletir sobre as respostas, e aqui estão algumas conclusões pessoais:

Vida

Se questionar sobre a vida, pra mim, é muito importante.

Dizem que o momento da morte é aquele em que você realmente para pra se perguntar tudo o que tem feito e se valeu a pena, você passa um raio-X na sua vida e em questão de segundos sabe se viveu tudo o que tinha de viver ou se você se arrepende de não ter feito algo.

E por que não simular esse evento de tempos em tempos? Parece sombrio, mas pense que podemos morrer a qualquer momento, por uma doença, atropelado na rua, ou engasgado com uma bala de café que ganhamos na saída do restaurante. O momento certo é imprevisível, e inevitável.

Então eu paro por um minuto e penso:

“Se eu morrer agora, minha vida valeu a pena até aqui?”

Se a primeira resposta que vem a minha cabeça não é um SIM absoluto, e isso se repete por muitas vezes, é um sinal de que eu devo fazer algo pra mudar esse quadro. Seja lá o que faça minha vida valer a pena: viajar, trocar de trabalho, reunir mais os amigos, visitar mais a família, qualquer coisa que faça a resposta ser um sim com tanta certeza quanto tenho ao responder que 2 + 2 são 4.

Além disso, existem outras coisas que vem me ajudando ao longo dos anos a manter essa resposta sempre positiva, como:

Saber o que eu quero

Todo ano crio uma lista de metas com coisas que quero fazer no ano que vai começar, e isso me ajuda e me tornar consciente daquilo que eu desejo pra fazer a vida valer a pena.

Acompanhar e compartilhar as metas

Não basta só criar a lista, também a olho a cada 15 dias, pra ter certeza que estou fazendo tudo o que gostaria de fazer. Compartilhar algumas delas nas redes sociais também me ajuda a manter a motivação.

Leitura de livros e blogs

Nem todos os livros ou postagens são bons e úteis pra nossa vida, alguns nos enriquecem de alguma forma, e outros são excepcionais. E os excepcionais sim, mudam a nossa vida pra sempre.

Relacionamentos

Esse é um ponto que sempre foi sensível na minha vida. Tímido e com uma perna mais curta que a outra na adolescência, desenvolver minha auto-estima ao ponto de me sentir seguro o suficiente pra abordar uma garota, só pra uma simples conversa, foi bastante difícil e me afetou por muitos anos (leia “até uns 23 anos”).

Com o tempo essa barreira se dissolveu, mas não significa que depois disso eu aprendi do nada como é estar em um relacionamento com outra pessoa.

Foram necessários alguns tombos, uns mais fortes que outros, pra eu finalmente parar pra me questionar o que eu esperava de um relacionamento e como saber se eu estou preparado para entrar em um.

Dados todos os relacionamentos pelos quais passei, algumas coisas que aprendi foram:

Autenticidade

Nos meus primeiros namoros, ser eu mesmo era a coisa mais difícil de se fazer. E digo isso simplesmente porque eu não sabia quem eu era, do que eu gostava ou não, ter segurança de falar o que eu pensava ou simplesmente ter a segurança de ficar em silêncio quando eu bem quisesse.

Isso fazia com que eu agisse o tempo todo para “agradar” a outra pessoa, muitas vezes sendo incongruente nos meus atos e palavras. Quem quer ficar com alguém que não sabe ser honesto consigo mesmo? Se a pessoa não é sincera com ela mesma, não pode esperar sinceridade dela para com você, não é mesmo?

Conversar sobre planos futuros logo no começo

Pra ter certeza que estão alinhados, e se não estiverem, pra dar tempo de se alinharem antes que a coisa toda se desenrole mal.

Sem joguinhos

Isso é uma coisa que afetou muitos dos meus relacionamentos, esse jogo de forças era criado pela imaturidade de um, se não, dos dois da relação. Posso dizer que às vezes era eu, às vezes era a outra pessoa. O fato é que ninguém é obrigado a saber o que você está pensando. O melhor é ser claro, objetivo, e gentil.

Saber o que eu quero

Essa é uma das coisas mais difíceis, às vezes entramos num relacionamento sabendo que é isso que queremos, às vezes entramos só porque gostamos de ficar com aquela pessoa e achamos que precisamos “oficializar” isso para alguém. Ser sincero comigo mesmo e admitir que não estou pronto pra um relacionamento é algo que já me garantiu coisas boas e não fazer isso também já me garantiu muito sofrimento, portanto saiba o que quer e vá atrás (ou não, se for o caso).

Nota: Beijo Sil! ❤️

Carreira

Até aqui já estagiei em 2 lugares, trabalhei 8h/dia em outros 2 lugares e tive a minha própria startup (12h-14h/dia?). Hoje trabalho como freelancer, quanto tempo eu desejar (ou precisar 🤑).

Meu sonho desde que entrei na faculdade foi ter minha própria empresa.

Resumindo tudo até aqui, eu comecei a estagiar em uma área que não gostava (hardware), pra ter uma experiência técnica, de lá fui trabalhar como desenvolvedor em outra empresa que não era de desenvolvimento, pra ter uma experiência como programador, daí pra uma empresa com vários desenvolvedores pra ter uma experiência com desenvolvimento em equipes e aí sair e criar minha própria empresa, trabalhar o resto da vida nela, ficar rico e me aposentar.

Plano perfeito… até não ter mais dinheiro, capital psicológico e capital emocional pra manter a empresa de pé.

Mas essa é outra história.

Fato é que quando você volta a morar com seus pais, não tem mais dinheiro, e passou os últimos 2 anos da sua vida trabalhando 12h/dia em algo que não deu certo, deixando de ter vida social, ir aos lugares que você gostava, viajar e se divertir, você passa a questionar tudo o que está fazendo.

Isso foi bom, pois foi assim que conheci o Welcome to the Django, o Henrique Bastos, e uma galera numa situação semelhante, que me ajudou a sair de onde estava e a recomeçar minha carreira, mas dessa vez, pensando direito.

Dois anos depois desse processo de redescobrimento, algumas lições aprendidas me ajudaram (e ainda tem me ajudado) bastante nessa jornada.

Saber o que eu quero

Eu tenho pra mim que só existe duas maneiras de saber o que você realmente quer: a primeira, conseguindo o que quer; a segunda, pagando um preço alto o bastante pra perceber que não é bem isso o que você quer.

Descobrir o que você quer da sua carreira exige empenho, e exige experiência, mas uma vez que você descobriu o que realmente quer, a vida fica muito mais fácil (um dia ainda escrevo sobre isso 😄).

Saber dizer não

Aqui a questão não é negar propostas ruins, isso é relativamente fácil, o desafio está em negar propostas que você sabe que são muito boas, mas que não se encaixa com aquilo que está buscando pra sua vida.

Conhecer meu valor/hora

No começo foi bem difícil, e confesso que ainda estou aprendendo, mas descobrir o valor/hora e estimar o tempo que um trabalho vai levar, te ajuda muito em uma negociação, é uma habilidade que vale a pena ter.

Aprender a ser produtivo

Conhecer o próprio corpo, se você trabalha melhor com fome, ou depois de comer, de madrugada ou nas primeiras horas da manhã, isso faz toda a diferença num trabalho de esforço mental como a programação, e faz o trabalho render mais, agregando mais valor. Sério, se conheça.

O que vem depois

Pra mim, a vida é um processo. Acredito que todos estamos passando por ele, em algum momento todos passaremos por alguma crise pessoal, na qual sempre acabamos saindo transformados, mais fortes e mais sábios. Ninguém está livre disso, mas há aqueles que compartilham isso, e há aqueles que sofrem em silêncio e superam em silêncio, e está tudo bem.

Sou grato por tudo o que aprendi até aqui, e com certeza ainda tenho muito mais o que aprender. Neste momento, os meus desafios pessoais pra próxima década são:

Legado

Descobrir o que realmente é isso e qual o seu valor pra mim. Eu preciso deixar um legado? Eu quero deixar um legado? Se sim, qual seria ele e como fazer isso?

Conhecimento

Eu sinto que estou acumulando cada vez mais conhecimento, seja profissional ou pessoal, e preciso passar isso pra frente, mas como? Tanta coisa pra dizer, quero nos próximos 10 anos descobrir a melhor forma de colocar isso pra que outras pessoas aprendam como eu venho aprendendo.

Dinheiro

Em 2017 li “Pai Rico, Pai Pobre”, e esse livro mudou a minha maneira de enxergar minha vida financeira, desde então invisto mensalmente e aprendo cada vez mais sobre isso, quero na próxima década dominar melhor diversos tipos de investimentos e atingir minhas metas financeiras.

Obrigado

Por fim, agradeço se chegou até aqui. Enquanto escrevia esse post consegui tirar mais 2 posts de outras lições de tópicos específicos, mas que preferi não adicionar aqui para o artigo não ficar mais extenso 😆.

Espero que o que eu compartilhei te ajude de alguma forma, e seria muito louco se você tivesse algo pra compartilhar também, em qualquer que seja a área da sua vida, os aprendizados são sempre bem-vindos e os comentários estão abertos!

ATUALIZAÇÃO: Pra quem se identificou com os questionamentos, recomendo o livro “O Poder da Ação”, do Paulo Vieira. Esse livro me ajudou a responder a várias dessas perguntas e a seguir em frente.

A experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido. - Confúcio